sexta-feira, 4 de março de 2011

The Evil Dead - Parte 1


Muito tem se falado sobre a trilogia The Evil Dead nos últimos anos, mas a maioria(ou quase...) das coisas faladas e comentadas não passam de uma sinopse rápida sobre a história ou de um delírio dos fãs. Por esse motivo decidi escrever sobre os três filmes, de forma imparcial, e analisar os detalhes que me parecerem relevantes de comentário.

The Evil dead, mais conhecido como "Uma noite alucinante" aqui no Brasil, é um filme estaduniense, de 81, dirigido e produzido por Sam Raimi, juntamente com seus amigos Bruce Campbell(atuando aqui como ator e co-produtor) e Robert Tapert(como produtor).

O filme é um dos mais lembrados da história do cinema, devido ao personagem Ash, pelas bizarrices, pela produção paupérrima e por se tratar do filme que fez lançar o nome de Sam Raimi como diretor na indústria cinematográfica e do ator Bruce Campbell, o qual é lembrado até hoje pelo papel do afetado Ash, protagonista dos 3 filmes da série.

Vamos por partes então, começando pela história inteira.

Tudo começa quando um grupo de 5 amigos vão passar um fim-de-semana em meio as montanhas do Tenesse, em uma cabana inóspita.

São eles: Ash(Bruce Campbell), Linda(namorada de Ash), Cheryl(irmã de Ash) e seus amigos Scott e Shelly.

Na estrada, enquanto todos estavam no carro, se encaminhando para a citada cabana, algo estranho acontece fazendo com que Scott, que é quem dirigia, perca o controle da direção, o volante começa a girar sozinho, quase resultando em um acidente. Só por aí já notamos que há algo nas redondezas.
O carro também passa por uma ponte de condições precárias, o que quase leva todos a caírem em um precipício.
Com a chegada dos amigos na cabana, Cheryl, para se distrair tenta desenhar um relógio que se encontra no local, mas tem sua mão possuída por uma força que domina seu braço e faz um desenho de um rosto deformado na folha.

Um pouco depois, o alçapão do porão dá alguns solavancos, assustando a todos. Scott e Ash vão averiguar e encontram um estranho livro com gravuras macabras, juntamente com uma fita, um gravador e um punhal com motivos demoníacos.

Scott liga o gravador. Na gravação escuta-se o registro de uma pesquisa de um arqueólogo/historiador que diz ter achado o livro, que eles têm em mãos, numa escavação em ruínas candarianas e que foi para aquela cabana, em companhia da esposa, para pesquisar melhor a respeito do livro. O livro fala, parafraseando a fala original do filme, de demônios, ressurreição dos mesmos e forças que vagam.

Em certo momento da gravação, o pesquisador começa proferir as palavras do livro no seu idioma nativo. Nessa hora, ouve-se uma voz demoníaca também proferindo as mesmas palavras e se vê um tremor no solo, do lado de fora da cabana.
Cheryl pede que Scott desligue o rádio, mas é ignorada. Um galho da árvore bate na janela, assustando a todos. Cheryl corre assustada para o quarto e Ash se irrita com Scott por não ter cessado a gravação.

Durante a noite, Cheryl é atraída para fora da cabana e vai em direção às árvores que, assustadoramente, ganham vida e começam a enrolar vinhas no corpo de Cheryl, inclusive rasgando sua roupa e a estuprando. Cheryl consegue se soltar e vai embora aterrorizada para a cabana, contando a todos sobre o corrido, mas estes, incrédulos da história, não dão ouvidos a Cheryl.

Ash decide ir embora com sua irmã, mas quando chegam na ponte(a mesma que estava em condições precárias) vêem que já não existe mais nada lá, ou seja, não há como ir embora. Cheryl, desesperada, diz a Ash que algo não quer que nenhum deles ali deixem o local.
Já de volta na cabana, Ash escuta sozinho mais alguns trechos da gravação, o pesquisador diz que sua esposa foi possuída por um demônio e que crê que o único jeito de acabar com um desses que foram possessos, é por esquartejamento.
Enquanto Ash escuta a fita, Linda brica de adivinhar as cartas que Shelly tem na mão e Cheryl, que estava longe e virada, começa a divinhar as cartas, com uma voz macabra. Ao se virar, todos constatam que Cheryl foi possessa por um demônio, essa diz algumas palavras e cai no chão.

Linda chega perto do corpo de Cheryl e é supreendida com um ataque da mesma, que infrinca um lápis em seu tornozelo. Ash tenta detê-la, mas é jogado longe pela força descomunal que agora Cheryl possui. Cheryl vai pra cima de Ash, que estava caído no chão, mas é detida por Scott que a golpeia e a prende no porão.
Na mesma noite, enquanto Shelly está em seu quarto, um demônio entra pela janela e, ao longe, Scott e Ash escutam os seus gritos. Scott vai verificar e é atacado por Shelly, que também foi possuída, não havendo outra escolha senão matá-la. Scott esquarteja o corpo de Cheryl e, junto de Ash, enterram seu corpo no quintal.

Scott diz a Ash que já não consegue mais ficar no local, devido aos acontecimentos, e Ash diz que não pode ir, pois Linda ainda mal conseguem ficar de pé, por ter sido atacada no tornozelo por Cheryl. Scott decide ir sozinho, vai tentar achar uma trilha que contorne as montanhas, já que a ponte já não existe mais.

Ash vai no quarto de Linda para ver como ela está, mas é tarde demais, Linda também foi possuída e começa dar uma risada esganiçada.
Scott também volta, todo ferido, já às portas da morte, dizendo que as árvores criaram vida e o atacaram.
Nesse instante, Linda entra na sala rindo, ainda de forma esganiçada, o que enlouquece Ash, fazendo com que a esmurre. Scott diz para Ash matá-la.
Ash pega a velha espigarda achada no porão, junto com o livro e a fita, e tenta matar Linda, mas não consegue. Linda retorna a si e dá um abraço em Ash.

Embaixo do alçapão que leva ao porão, Cheryl também parece voltar ao normal e implora que Ash a tire de lá debaixo, mas quando Ash chega perto, Cheryl gruda em seu pescoço, já possuída novamente. O demônio pede que Ash se una a eles.
Linda, também, já possessa outra vez, faz com que Ash a leve para fora da cabana.

Quando volta, Ash descobre que Scott já não está mais vivo.
Linda entra ferozmente na cabana em direção de Ash, ferindo seu braço com o punhal que eles haviam achado no porão. Os dois se atracam na sala e Ash a empurra no chão, de modo com que o punhal cravasse(e atravessasse) seu corpo. Linda cai inerte no chão.

Ash vai até o armazém da cabana, amarra Linda e tenta esquartejar o corpo com uma serra-elétrica, mas não consegue fazer isso e vai enterrá-la do jeito que está.

Antes de enterrá-la, Ash tenta pegar um pingente que havia dado a Linda e estava em seu pescoço, mas Linda ainda não está morta e fere a perna de Ash; novamente os dois tem uma luta curta, na qual Ash é obrigado a decapitá-la com uma pá.

Ao voltar para a cabana, Ash descobre que Cheryl escapou do porão. Ash pega a espingarda para se proteger e é atacado por Cheryl, pela janela, e dá um tiro nela, e, em seguida, fecha todas as portas da cabana para que Cheryl não entre. Ash decide ir ao porão para pegar mais cartuchos para espingarda, presenciando outras coisas bizarras, como o fluxo de sangue que sai das tomadas e das lâmpadas e a ligação automática de um projetor.
Ash vê seu estado deplorável em um espelho e, ao tentar tocá-lo, constata que o espelho tem uma forma líquida, fazendo Ash ir à beira da loucura.
Ash encosta na porta, pega o pingente de Linda, que estava em seu bolso, e dá uma breve olhada, sendo interropido pelas duas mãos de Cheryl que atravessam a porta e grudam no rosto de Ash. Ash dá um tiro que atravessa o maxilar de Cheryl.

Scott revive, já possuído por um demônio, e tira a arma de Ash; os dois começam uma luta, enquanto Cheryl esmurra a porta querendo entrar.
Scott pega Ash pelo pescoço e o levanta. Para se se defender, Ash perfura os dois olhos de Scott com os dedos e, em seguida, arranca, o que parece ser, o órgão sexual de Scott(!!!), fazendo Scott cair no chão.

Ash nota que o corpo de Scott está "fumegando" e percebe que isso tem algo a ver com o livro que está quase entrando em combustão, perto da lareira.
Cheryl consegue entrar na cabana e esmurra Ash, que cai. É bom notar que o fenômeno de "fumegação" também está presente no corpo de Cheryl.

Ash no chão, se rasteja para por as mãos no livro, mas Scott puxa sua perna, impedindo que Ash o pegue; enquanto isso, Cheryl pega um atiçador de brasa e dá consecutivos golpes no torço de Ash.
Ash, com muito custo, pega o pingente de Linda e consegue arrastar o livro para perto de si, tacando-o na lareira, o que faz com que os corpos de Cheryl e Scott derretam.

Ash sai da cabana e observa o dia já raiando, mas pouco tempo depois vem uma criatura pra cima dele, gerando um grito por parte de Ash, que por sua vez leva ao fim do filme.

Bom, agora vamos ao detalhes técnicos...

Como podem notar, descrevi a história do começo ao fim, com o maior número de detalhes relevantes, mas com o simples propósito de expor a bizarrice que cerca a obra e da difícil tarefa dos atores de passar credibilidade em meio a tantas situações estranhas e, pior de tudo, em um filme onde o orçamento magro de pouco mais de US$ 350.000,00, uma verdadeira audácia por parte de Sam Raimi & cia, nos faz pensar no milagre que os mesmos fizeram com tão poucos recursos disponíveis.

Falando em atores, vou dar uma pincelada em cada um deles, e nos seus respectivos personagens.

Todos os atores não são estrelas conhecidíssimas hoje em dia, a não ser Bruce Campbell, que mesmo assim tem muita gente que nem sabe da existência dele(minha irmã por exemplo!), mas mesmo assim merecem um certo destaque, pois se alguém(com mais de 20 anos) se lembra dos filmes que passavam no cine trash da band, também deve se lembrar que a maioria dos atores desses filmes iam de mediano a pior; vendo por esse ângulo, até que o filme de Sam Raimi não foi tão infeliz na escolha de atores.

Shelly(Theresa Thilly)
Shelly não contribuiu muito para o fime. A impressão que dá é que ela só estava lá para ser mais uma da trupe a ter seu corpo possuído, já que seu texto foi o mais reduzido da trama. É difícil avaliar a atuação da atriz, visto que ela não fez nada que outra pessoa comum não faria(sem exagero!) e quase nada que fosse "somar" ao filme, mas se por um lado não ajudou, por outro lado também não atrapalhou...

Cheryl(Ellen Sandweiss)
Cheryl foi a primeira dos personagens a ter experiências, realmente, estranhas, como na ocasião em que um demônio dominou sua mão e desenhou uma gravura do "livro dos mortos" em seu caderno, ou na cena que ficaria sendo uma das mais marcantes do filme(e porque não dizer da história do cinema?), a qual ela é estuprada por uma árvore. Sem dúvida, de todos os atores, Ellen Sandweiss foi a que se saiu melhor atuando, encarnando muito bem o papel. Acredito que se Bruce Campbell não fosse o ator escolhido para ser o protagonista, Ellen Sandweiss, teria sido uma ótima substituta para a tarefa.

Linda(Betsy Baker)
Linda está quase no mesmo patamar que Shelly, a única diferença é que ela tem um "status" mais importante por ser namorada do protagonista Ash. Também não contribui muito para o filme, sendo que a coisa mais difícil que atriz Betsy Baker fez, foi dar um grito quando Cheryl(possuída) espeta um lápis no seu tornozelo; Linda, quando possessa, adquire a habilidade de rir de uma forma esganiçada que nos faz torcer para que Ash a mate logo...

Richard Demanicor(Scott)
Scott é o típico amigo incrédulo e cheio de brincadeiras sem-graça que perturba a todos, estereótipo que era muito popular em filmes do gênero nos anos 80.
Scott no filme tem uma personalidade que parece ofuscar a do frágil e gentil Ash, em outras palavras, Scott é tudo que Ash não é, ou pelo menos até que as coisas comecem a ficar "interessantes" pro lado do pobre Ash.Como visto na história do filme, Scott é o último a ter seu corpo dominado, mas antes disso ele desempenhou um importante papel na trama, aprisionando Cheryl no porão e matando Shelly. É óbvio que Scott possui mais "atitude" que Ash, que até antes da morte de Scott, sempre vivia à sua sombra. Na minha concepção, o papel foi muito bem tocado por Richard Demanicor, mas apenas mediano(o que é bem melhor que ruim), sem nenhum destaque evidente, ao contrário dos casos de Ellen Sandweiss e Bruce Campbell, que foram ótimas interpretações.

Bruce Campbell(Ash)
Ahá! deixei o nosso querido herói por último!
Ash, no começo da película, se mostra com ares de atrapalhado, frágil e bom moço e é assim até o fim do filme.
Como bom moço que é, Ash sempre dá ouvidos ao que seus amigos dizem, diferente de Scott que faz piada com tudo e a todos. Ash tem um crescimento na trama, confome seus amigos vão morrendo, pois vai se transformando de um bobalhão para uma pessoa com um pouco mais de personalidade, também, pudera, com o circo pegando o fogo o rapaz não poderia bancar o passivo o tempo todo.
Ash, junto de sua irmã Cheryl, é um dos primeiros a se preocupar sobre a história do pesquisador presente na fita gravada, escutando sozinho mais alguns trechos dela.
Sam Raimi nos joga na cara várias vezes que o personagem Ash é um rapaz tão puro de coração que sempre hesita em abandonar ou fazer mal aos seus amigos, respectivamente, isso é provado quando Ash tenta tranquilizar Scott, que já está às portas da mortes, dizendo que tudo vai ficar bem e todos vão voltar pra casa(sim, Ash leva em consideração até mesmo os seus dois amigos que estão possuídos, acreditando que ainda terá um jeito de salvá-los @.@) e também quando hesita duas vezes em matar sua namorada Linda.

Antes de assistir o filme, eu já tinha ouvido falar da interpretação canastrona de Bruce Campbell e, de fato, algumas vezes ele não passa credibilidade alguma, como nas ocasiões em que Scott tenta deter Cheryl ou na vez que o mesmo Scott esquarteja Shelly, mas conforme vamos assistindo percebemos que o "gosto" do personagem é esse mesmo: não se nota se esse é o jeito dele de ficar atônito com as adversidades, se é porque ele tem um certo auto-controle com as coisas ou se o diretor Sam Raimi não soube dirigir Bruce no papel mesmo!Procuro pensar que Bruce Campbell só fez o seu melhor possível na época. Não podemos cobrar muito de um rapaz que até então só fazia filminhos amadores(e de brincadeira!) com Sam Raimi e Robert Tapert!
Mesmo assim, notei algumas boas faíscas de uma ótima interpretação em algumas ocasiões, como quando Ash não consegue usar a serra-elétrica em Linda e chora logo em seguida ou nos momentos finais do filme, quando o personagem, já bastante desgastado, solta um sorriso esquizofrênico, como se já estivesse perdendo a sanidade mental. Num balanço geral da intepretação de Bruce Campbell, sua atuação no filme é cheia de altos e baixos(assim como sua carreira @.@), mas mesmo assim cumpriu excelentemente bem o seu papel, sendo um ator que cresceria ainda mais na posteriores sequelas do filme. Nota 10 para Campbell!

O filme em si

Para um filme feito por um diretor novato, a obra se saiu melhor que a encomenda.
Sam Raimi foi feliz na empreitada, mostrando sua competência nas pequenas sutilezas que cercam o filme, como o jeito ousado de filmagem de certas cenas em que Raimi soube demonstrar que sabia muito bem o que estava fazendo. Basta notar na câmera que se afasta vertiginosamente de seus amigos, quando Scott está para abrir a cabana; na tomada feita por fora da cabana, enquanto Cheryl faz um desenho no caderno, ou nos simples closes que Raimi dá nos rostos de alguns personagens, em especial no semblante desesperado de Ash nos momentos finais.

É impossível falar de The Evil dead sem mencionar na grande escatologia que predomina no filme, como a cena em que os pedaços esquartejados de Shelly continuam se mexendo no chão ou na longa sequência que se extende quando os corpos de Scott e Cheryl entram em decomposição, numa cena, diga-se de passagem, bem exagerada. Apesar do exagero poder ser encarado como fútil e desnecessário, acredito que isso reforça ainda mais o clima bizarro do filme e faça com que tenhamos uma empatia maior pelo, já afetado, psicologicamente, Ash. Em meio a esse pandemônio todo, lembro de uma cena que marcou bastante nesse filme. É a cena onde Ash já se entregando a loucura, por não aguentar mais o que passara até então, põe a mão no bolso e dá uma olhada no pingente de Linda... É como se ele estivesse querendo retornar a sua sanidade mental e pensado: "Ok, ainda sou um ser humano, apesar de tudo..."

Muito se fala também do uso de bonecos na produção, mas se formos analisar bem o orçamento apertado ao qual o filme foi "imaginado", esse tipo de coisa, ao meu ver, não afeta em nada, já que a medida que essas coisas começarem acontecer com frequência, o espectador já está tão imerso no filme que nada vai fazer pará-lo de assistir, salvo sob a exceção do boneco usado pra representar o lápis perfurando o pé de Linda, já mencionado duas vezes, mas mesmo assim o uso desses bonecos não chegam a ser tão fajutos como nas produções de heróis nipônicos que rechearam nossas TV no fim dos anos 80 até a metade dos anos 90...

Vale ressaltar, também, o rítmo frenético que permeia o filme do começo ao fim; momentos de calmaria são raros nesse filme, o que não deixa que o espectador desgrude um segundo o olho da tela. Simplesmente um dos filmes com narrativas mais rápidas que já assisti.

Finalizando

O fato de The Evil Dead ter sido feito com muito esforço por um grupo de amigos tão próximos e visionários, passando pela dificuldade de ter que chegar ao cúmulo de tentar angariar fundos através de rifas na vizinhança para a produção do filme, faz com que eu veja The Evil Dead como uma produção feita com muito esforço e carinho por parte de todos os envolvidos.

The Evil dead é um p*** filme e merece a legião de fãs que tem, inclusive seu status "cult", mas não deve ser assistido apenas por isso ou por ser um "filme B" famoso, e sim pela boa diversão/distração e pelo bom filme que é.

Um comentário:

  1. que legal... o filme parece ser interessante kkkk.. mas pelo que intendi o final fica com vontade de querer mais neh ..... vou ver se consigo baixar kk

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